Soneto do Amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com os olhos que contem o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual à mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

VINÍCIUS DE MORAES

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1 comentários:

Mário Sioli disse...

Eu adoro texto de Vinicius de Moraes.
Eu morei já em Campo Grande e lembro de algumas coisas de lá, mas para mim o momento mais especial que vive lá foi um dia que estava na rodoviária com um livro sobre todas as poesias de Vinicius, era um especie de biografia junto com os textos dele. Foi adorável aquele momento e quando cheguei nesse soneto eu me senti no lugar de Vinicius: "com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida" (Aquarela)

Você é talentosa Vanuza para escrever e para escolher bons textos para o blog.
Nem preciso que gosto sempre de estar aqui.
Beijos no coração.